Sábado, 25 de Abril de 2009

Liberdade


Hoje, depois de estar há mais de 12 anos vivendo por cá, entendo melhor a cultura de um povo recém saído de uma ditadura...
Um simples: "Como é que você se chama?", já é motivo para parar e pensar se esta resposta vale a pena ser dada... Num medo meio camuflado de uma liberdade desejada, mas que para a maioria, ainda é algo distante de ser alcançada. A cultura da desconfiança (que é prima do medo) ainda mantém-se.

No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.
Às 22h 55m é transmitida a canção ”E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas e que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.
O segundo sinal foi dado às 0h20m do dia 25 de Abril, quando foi transmitida a canção ”
Grândola Vila Morena“, de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença , que confirmava o golpe e marcava o início das operações.

Muitos relatos por este caminho... e um de que eu particularmente, gosto muito:

“Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém, uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram, começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.”

Os nativos dizem que isto aconteceu. Eu acredito e acho lindo, belo e sublime.

Em dias assim, até queria ser eu uma portuguesa!

E viva a liberdade! E que ela aconteça, de facto, em cada um de nós!!!

2 comentários:

bete disse...

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
N’algum canto de jardim

Sei que há leguas a nos separar
Tanto mar
Tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar
Navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho
De alecrim

Chico Buarque de Hollanda

Betânia Pirola disse...

È verdade, pá! Ainda é preciso navegar...
Salve Chico!
Salve Bete!!